Contos do Machado é um livro de contos ilustrado, de temática épica/histórica, com pouco mais de 170 páginas. É uma obra com dois autores: Maurizio Ruzzi assina os contos e Juno Nedel é responsável pelas ilustrações e pelo design das páginas. É um livro que pode se dirigir a vários públicos diferentes.
O livro é bastante ousado em seu projeto gráfico. A ideia é ir muito mais longe do que apenas um livro com ilustrações. As imagens fazem parte do processo de leitura. Um dos objetivos é capturar o leitor através do impacto visual.
Ainda que a estrutura dos contos seja bastante tradicional, a abordagem pode ser resumida com a seguinte frase: Fazer literatura com a linguagem (ou o mundo) dos quadrinhos, e dos personagens de ação.
Os textos poderiam também ser vistos como capítulos, visto obedecerem a uma ordem cronológica e dividirem personagens. Porém, as histórias são independentes o suficiente para que estes ainda possam ser vistos como contos.
A obra inicia com uma carta, que serve como uma espécie de apresentação do livro ao leitor. A carta dá ares de ficção histórica ao livro, e embora isto não seja uma característica marcante dos contos, foram tomados certos cuidados, como respeitar os conhecimentos de metalurgia de determinada época. O mundo subjacente ao livro é coerente com a realidade da Europa central, entre os séculos XIV e XVIII.
A obra tem dois aspectos que se sobressaem: o primeiro é, como mencionado acima, o impacto visual. Ela atrai a atenção de qualquer leitor que a folhear, por que o objetivo da parte gráfica não é o de apenas ilustrar os contos, mas sim de que cada página seja algo belo para ser contemplado.
O segundo é a possibilidade de dirigir-se a diferentes leitores. A temática e mesmo o roteiro dos contos remetem à ação, aos quadrinhos e à literatura épica – e, portanto, dialogam com um público mais jovem, que também é sensível ao poder das ilustrações. Estas mesmas características colocam o leitor de quadrinhos (desde Will Eisner a Manara, passando por Moebius e por quadrinhos “clássicos” de ação) como um potencial leitor da obra. Por outro lado, a linguagem dos textos é direcionada a leitores mais “maduros”, acostumados a uma literatura mais clássica – mesmo que a temática subjacente seja “violenta”. Por exemplo, o primeiro conto é construído em torno de uma citação (colocada na boca de um personagem) de Kant, que fica evidente na última frase do texto (e no título). Outro tipo de público, aquele que gosta de desvendar mensagens cifradas e tramas com detalhes escondidos, pode desfrutar as referências, tanto sutis como explícitas, de um conto a seu antecessor (ainda que percepção destas referências não seja fundamental para a compreensão do todo).
Em suma, é um livro que foi concebido em torno do objetivo de dar qualidade literária a um tema bastante específico, em conjunto com uma abordagem gráfica ímpar, que visa colocá-lo a parte da grande massa de títulos hoje em dia existente.
Contos do Machado é um livro de contos ilustrado, de temática épica/histórica, com pouco mais de 170 páginas. É uma obra com dois autores: Maurizio Ruzzi assina os contos e Juno Nedel é responsável pelas ilustrações e pelo design das páginas. É um livro que pode se dirigir a vários públicos diferentes.
O livro é bastante ousado em seu projeto gráfico. A ideia é ir muito mais longe do que apenas um livro com ilustrações. As imagens fazem parte do processo de leitura. Um dos objetivos é capturar o leitor através do impacto visual.
Ainda que a estrutura dos contos seja bastante tradicional, a abordagem pode ser resumida com a seguinte frase: Fazer literatura com a linguagem (ou o mundo) dos quadrinhos, e dos personagens de ação.
Os textos poderiam também ser vistos como capítulos, visto obedecerem a uma ordem cronológica e dividirem personagens. Porém, as histórias são independentes o suficiente para que estes ainda possam ser vistos como contos.
A obra inicia com uma carta, que serve como uma espécie de apresentação do livro ao leitor. A carta dá ares de ficção histórica ao livro, e embora isto não seja uma característica marcante dos contos, foram tomados certos cuidados, como respeitar os conhecimentos de metalurgia de determinada época. O mundo subjacente ao livro é coerente com a realidade da Europa central, entre os séculos XIV e XVIII.
A obra tem dois aspectos que se sobressaem: o primeiro é, como mencionado acima, o impacto visual. Ela atrai a atenção de qualquer leitor que a folhear, por que o objetivo da parte gráfica não é o de apenas ilustrar os contos, mas sim de que cada página seja algo belo para ser contemplado.
O segundo é a possibilidade de dirigir-se a diferentes leitores. A temática e mesmo o roteiro dos contos remetem à ação, aos quadrinhos e à literatura épica – e, portanto, dialogam com um público mais jovem, que também é sensível ao poder das ilustrações. Estas mesmas características colocam o leitor de quadrinhos (desde Will Eisner a Manara, passando por Moebius e por quadrinhos “clássicos” de ação) como um potencial leitor da obra. Por outro lado, a linguagem dos textos é direcionada a leitores mais “maduros”, acostumados a uma literatura mais clássica – mesmo que a temática subjacente seja “violenta”. Por exemplo, o primeiro conto é construído em torno de uma citação (colocada na boca de um personagem) de Kant, que fica evidente na última frase do texto (e no título). Outro tipo de público, aquele que gosta de desvendar mensagens cifradas e tramas com detalhes escondidos, pode desfrutar as referências, tanto sutis como explícitas, de um conto a seu antecessor (ainda que percepção destas referências não seja fundamental para a compreensão do todo).
Em suma, é um livro que foi concebido em torno do objetivo de dar qualidade literária a um tema bastante específico, em conjunto com uma abordagem gráfica ímpar, que visa colocá-lo a parte da grande massa de títulos hoje em dia existente.